Posts tagged Estratégia
Nada mais velho do que o novo
Oct 9th
Leio na Folha de São Paulo que a Sony BMG decidiu abrir uma nova empresa, chamada Day1, que será uma espécie de gerenciadora de carreira dos artistas do selo. Isso aparece como uma grande novidade, o que na verdade não é. Novidade era em 2000, quando o selo Discipline Global Mobile resolveu adotar um sistema inovador de gerenciamento de carreira, que contemplava não somente o agenciamento do artista, mas tudo: desde as gravações até a venda de merchandise – com uma diferença: era tudo no risco, para ambos os lados. Ou seja, era como uma “venture capital” para artistas – diferentemente do modelo ainda vigente, onde a gravadora “adianta” o investimento, jogando o risco no artista e detendo todos os direitos depois. O modelo deles evoluiu em direção à distribuição via BitTorrent de álbuns ao vivo (algo que o Pearl Jam e o Wilco passaram a fazer depois).
O que a SonyBMG estão fazendo é simplesmente a verticalização do negócio fonográfico: eles sabem que hoje o dinheiro está na ponta de baixo, e não mais na distribuição (a Apple e a Amazon tendem a dominar a partir de agora, agregando os serviços que as gravadoras não quiseram oferecer). Essa verticalização nada mais é do que repeteco do que aconteceu na década de 50, como mostrou Charles Perrow no excepcional Complex Organizations, um livro de ensaios que, em um mísero capítulo, praticamente conta tudo que você precisaria entender sobre o mercado fonográfico e o mundo das indústrias criativas.
More >Capitalismo à Brasileira I
Aug 3rd
BNDES entra na Springs/CoteminasEm meio à turbulência dos mercados, a Springs Global Participações, do vice-presidente José Alencar, decidiu promover uma oferta pública de ações. Vai levantar 600 milhões de reais. Até aí, beleza. O processo está inclusive registrado na CVM. A novidade: a empresa terá a ajuda do governo, via BNDES.
A Springs Global Participações é um gigante lucrativo e globalizado. Trata-se da holding que detém o controle da Coteminas, maior indústria têxtil do Brasil. E é dona também da Springs, a maior fabricante de produtos de cama e mesa dos EUA. A decisão de fazer a oferta pública foi de Josué Christiano Gomes da Silva, filho de Alencar e executivo número 1 da Springs/Coteminas. O Credit Suisse está liderando a operação.
Mas o negócio não saiu fácil. Só conseguiu ser concretizado depois que o Credit Suisse convenceu o BNDES a comprar quase 150 milhões de reais em papéis da empresa. Quem conhece o mercado acredita que estes 25% da operação comprados pelo BNDES terão que ficar encarteirados nos cofres públicos por um bom tempo.
A lista de compradores também incluiu um fundo estrangeiro. O negócio está para ser anunciado oficialmente nos próximos dias.
Essa é uma das características do capitalismo brasileiro: os negócios de peso sempre tem o dedo do governo, não como fomentador, mas como tomador do risco. É o mesmo conceito da Lei Rouanet, que dá R$ 1 milhão para uma cantora meia-boca, voltada para um público abonado (Vanessa da Mata) gravar um DVD.
O lucro é deles, o prejuízo é nosso.
As revistas de luxo à moda brasileira
Jun 11th
Sei, da boca pequena, que boa parte delas só existe para esquentar peças fantasmas das agências nacionais, uma situação surrereal que só no Brasil mesmo. Ou seja, criam-se veículos sem leitores para veicular peças inexistentes para um público que não existe, já que não é uma revista para ser lida etc…
E as poucas para serem lidas, como a Bravo, são tão indigentes em termos de cultura que ainda acham Marisa Monte relevante (só se for como marketeira…).
Starbucks deveria fechar capital?
May 25th
Um dos textos mais instigantes que li recentemente está no interessante blog ChangeThis, criado pelo Seth Godin como uma espécie de megablog de “manifestos”. Tirando 80% de exageros e muitas palavras de ordem e semi-motivacionais, há ótimos achados, já que alguns dos escritores realmente possuem algo a dizer.
Por exemplo, John Moore, que já foi diretor nacional da cadeia Whole Foods e de varejo no Starbucks, abre uma discussão sobre um famoso memorando interno que vazou, escrito no início de 2007 pelo CEO da Starbucks. Nesse, Jim Donald fala sobre a percepção de comoditização da marca que começa a corroer a experiência de loja que sempre tiveram. Por exemplo, ele questiona se a mudança para máquinas automáticas de café espresso não tiraram justamente a cara artesanal e pessoal que a loja sempre teve, entre outros questionamentos que claramente afetariam muito da expansão da empresa.
More >Prioridades
Apr 18th
AVATAR DO PRESIDENTE TAMBÉM FOI À FESTA
Bologna foi ao lançamento
O sucesso da festa de lançamento da TAM no site Second Life foi traduzido em números. Depois de três horas e 45 minutos, entre 20 horas e 23h45 da última segunda-feira (16), 726 internautas acessaram o evento realizado na fictícia ilha Berrini, que ficou lotada de avatares. Do total de participantes, 630 foram à pista de dança e 386 retiraram brindes e balões da companhia aérea. O cuidado da LOV na produção da festa chegou à minúcia de criar um avatar para o presidente da TAM, Marco Antônio Bologna. O evento contou com DJ’s e garçonetes servindo aperitivos, além de aparelhos de TV de plasma para a transmissão de um vídeo institucional da empresa.
Sem qualquer crítica aos amigos da LOV (gente super bacana e competente), mas as empresas aéreas brasileiras são campeãs do mau atendimento, da falta de suporte ao usuário, de sites ruins de doer, de sistemas de milhagem complicados… E a melhor coisa em que poderiam gastar dinheiro é na presença da marca no Second Life? Have a life…
Tudo bem, vão dizer que uma coisa não exclui a outra, que se trata de uma estratégia de longo prazo, blablabla. Mas que medidas mais simpáticas no momento, que demonstrassem o respeito da TAM pelo passageiro teriam muito mais impacto, não tenho dúvidas. Aliás, faz falta a presença do marketing original da TAM. Muito mais inteligente e importante do que o avatar do presidente que fez a empresa se tornar o patinho feio das empresas aéreas nacionais. Isso porque vivemos um duopólio…
Preço sugerido nas embalagens
Nov 29th
Até aí, bacana. Eis que, na própria lata, surge este tag amarelão imenso escrito: Preço Sugerido=R$1. Ao lado, havia uma caixa de Goiabinha da Bauducco (um produtaço, tanto conceitualmente, como em termos de comunicação, a cargo da AlmapBBDO – que merecia prêmio Effie). Na caixa, igualmente um tag de preço sugerido: R$0,50.
Duas coisas chamam a atenção: primeiro – isso seria impensável antes do Plano Real (sempre bom lembrar). Segundo – trata-se de mais uma cartada da indústria para evitar a guerra de preços no varejão, ainda mais com produtos ultra-populares como ambos citados. Veremos no que isso dará.
A destruição criativa da cadeia audiovisual
Nov 16th
Explico. A indústria cinematográfica, há muito tempo, baseia sua receita não somente na ida dos fãs ao cinema, mas da receita advinda da venda de direitos para home video (VHS e DVD), Pay-per-view, TV a Cabo, TV aberta e finalmente hoje, iPods. Mas esta receita era diluída no tempo: ou seja, primeiro se rentabilizava o cinema. Passados alguns meses, e os atrasos no mercado internacional, passa-se ao outro naco da cadeia (DVD) e assim por diante.
More >Quanto uma estratégia tem de acaso?
Oct 17th
O interessante está justamente neste “olhar atento”; afinal, isso é uma mistura de futurologia com sorte de acertar o que a estação pede. Esta capacidade de prever o futuro faz com que a empresa apresente baixos índices de estoque, uma de suas vantagens competitivas no mercado. A pergunta é: como saber o que é um “olhar atento” que traz vantagens competitivas a priori?
More >Sabotando Produtos
Aug 25th
Digamos que você chegue na Starbucks e queira um cappuccino simples. Olha no cardápio e não há. Há contudo uma versão mega gigante, bem maior do que desejaria. E, por isso, acaba comprando esta mesma. Só que, se você tivesse chego no caixa e pedido o cappuccino pequeno… bingo! Ele existiria e estaria lá – só não no cardápio, porque sua baixa margem de contribuição não interessa à rede de cafeterias.
O autor chega inclusive a comentar o caso de uma impressora da IBM que era vendida em duas versões, sendo que a versão básica era idêntica à premium, mas vinha com um chip a mais, que só servia para reduzir a velocidade de impressão!
Seria esta uma tática ética de se trabalhar precificação? Como estimular o consumo do produto premium sem precisar recorrer a tais expedientes? Seria o premium mal precificado nestes casos? Convido os 3,1 leitores deste blog para comentários…
O Fator S
Aug 24th
É simples dizer que é um pouco dos dois, mas esta é a resposta fácil. O artigo de Godin é interessante por mostrar que, em indústrias muito ligadas à moda ou a mudanças sociais de difícil avaliação, o controle das variáveis é quase impossível. Contudo, isso não torna a estratégia obsoleta: apenas altera-se a forma de se utilizá-la.
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