Sociologia
Proposta de Sociologia do Cigarro I
Aug 16th
Quando estive nos EUA e França, em duas oportunidades distintas, uma das situações que mais me chamavam a atenção era a postura dos fumantes em situações de convívio social. Em miúdos: o que há de comportamento sociológico no simples ato de se fumar em público?
A primeira coisa que me despertou curiosidade era o fato que a ampla maioria dos fumantes mantinham seus cigarros próximos à boca, ou muito colado ao rosto. Parecia haver um interesse em que o cigarro estivesse circunscrito ao espaço individual, de forma a não perturbar a pessoa ao lado – que poderia não ser fumante. Outra sensação era a de que o ato de fumar era um momento de prazer puramente pessoal, uma ação que independia relativamente dos outros. Mesmo a fumaça era solta devagarzinho, em cima de si próprio, sem aquela coisa de assoprar jatos à distância.
Já no Brasil, o que mais se vê é o fumante abrindo os braços largos e literalmente jogando o cigarro na cara da pessoa que estiver atrás ou do lado, especialmente se esta não for conhecida. Ao soltar a fumaça, a fumante ou joga tudo para trás, ou para cima, ou para o lado. Ou seja, o fumar no Brasil parece ser um ato muito menos de prazer pessoal, e mais de afeto social e que reforça o caráter egoísta do brasileiro médio.
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Feynman e a ciência no Brasil
Jul 10th
Porque os EUA estão perdendo terreno no mundo e o Brasil
Jul 7th
Em tempo: os dados no Brasil são ainda piores – o índice de leitura é de ridículos 1,5 livro per capita – sendo que somente 17 milhões de brasileiros são compradores e 26 milhões são leitores. Ou seja, 14% da população lê cerca de 10 livros/ano, o resto depende da Globo para se sentir gente. Dados da Pesquisa Retrato da Leitura, feita em 2001 pela CBL.
A seleção pode ser vista pela Sociologia Política
Jul 7th
Eis que na verdade, tínhamos a receita do fracasso: um bando de estrelas agindo por conta própria, um gestor medroso e medíocre, cujas glórias passadas se deram a despeito e não por causa dele, e uma crença na divindade específica do Brasil, em que um lance genial resolvesse todos nossos problemas.
O Arcaísmo como Projeto de Nação
Jun 14th
Um livro interessantíssimo, e que questiona uma série de dogmas da historiologia brasileira, parece dar indicações sobre este fenômeno. O Arcaísmo Como Projeto, dos professores da UFRJ João Fragoso e Manolo Florentino, apresenta uma série de estudos sobre o final do período colonial que põem em cheque alguns dos mais conhecidos dogmas da história nacional. Por exemplo, a bazófia da inexistência de uma economia local forte por culpa portuguesa, ou mesmo a impossibilidade do pobre ascender numa sociedade tão desigual. Mas não é disso que trato aqui. Mas de um dado mais pertinente para este tópico, que é a concentração da riqueza não no produtor, mas no intermediário. Segundo o livro, 20 famílias locais praticamente controlavam do transporte à logística de distribuição de produtos e escravos, além do crédito na colônia, sendo que seus tentáculos chegavam inclusive à metrópole portuguesa e África.
Não deixa de ser curioso notar que, segundo os historiadores, estas famílias não duravam mais que duas gerações – já que aparentemente, neste momento, elas se livravam das empresas, compravam um bocado de terra no interior e iam viver de rendas. Ou seja, nunca se transformava em capital produtivo, mas servia para legitimar uma certa aristocracia local, que reproduzia a aristocracia portuguesa.
