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‘Fringe’, transmídia e porque estamos obsoletos

Ricardo | August 6, 2008

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Fringe - a HQ da série de TV

J.J. Abrams é um produtor antenado nas novas formas de se contar uma história e ainda ganha muito dinheiro com isso. Isso nós sabemos. Afinal, ele criou Alias e Lost, séries que rompiam com o isolamento das séries na mídia televisiva.

Que ele gosta de espalhar o seriado para além da TV, isso também vimos, como foi o caso do livro encontrado na mão de um dos personagens, e que virou best-seller.

Que Abrams também é fascinado pelo mundo dos quadrinhos, parece também não haver dúvidas.

A grande novidade, porém, é que ele escolheu começar Fringe, sua nova empreitada, em uma série em quadrinhos, pelo selo Wildstorm/DC, e que, em seguida, seguirá em paralelo à própria série. Além disso, diferentemente de todas as iniciativas anteriores, onde quem fazia a HQ era alguém de fora da produção da série da TV (caso de Star Wars: The Clone Wars), a nova série Fringe será igualmente escrita pelos roteiristas e produtores da série de TV, como reporta o site Newsarama.com.

Do ponto de vista criativo, trata-se de um grande passo na direção de destruir as barreiras entre áreas criativas em mais uma das indústrias (no caso, broadcasting e publishing). Quem escreve uma HQ, também escreve uma série de TV, escreve um livro e nenhum mais é mais importante que o outro. Todos se complementam.

E por que isso é importante para a comunicação? Porque fica claro que esta mistura de mídias e de formas de se contar histórias oblitera o conceito de propaganda como ela ainda é feita no Brasil, no formato 30 segundos e “página dupla”, com um viralzinho na internet para dizer que faz digital. Ela também demonstra que conteúdo e meios estão hoje totalmente separados – e é cada vez mais difícil esperar que eles um dia voltem a se juntar. A “regra” parece ser QUALQUER conteúdo em QUALQUER mídia.

Enquanto isso, a Mother, na Inglaterra, depois de desenvolver um festival de comédia para a Diageo, um filme da própria agência premiado em festivais, e agora criar um musical para Pot Noodle, mostra que a distinção entre criar conteúdo e criar publicidade é cada vez mais irrelevante. Aliás, como a Mother sobreviveria num país onde criação e o planejamento não valem nada, já que faz tudo parte do pacote de mídia e não rola BV?

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Todo mundo é socialmente responsável, na comunicação - II

Ricardo | June 22, 2008

Na primeira parte do artigo, provoco meus amigos perguntando se é melhor investir mais no social ou fazer marketing sobre investimentos sociais. Nesta parte, pretendo conceituar o que é responsabilidade social e também apontar o que NÃO é responsabilidade social.

O conceito, no fundo, é simples. Nenhuma organização flutua sozinha no universo. Ela tem responsabilidades que se estendem além de sua organização. Ou seja, não adianta ela, por exemplo, pagar seus funcionários em dia se a empresa contratada para fazer a limpeza não registrar seus funcionários. É, segundo este modelo de empresa socialmente responsável, zelar e cobrar o mesmo tipo de responsabilidade (ou seja, cumprir a lei) de seus fornecedores. O caso da Nike, em 1997, de subcontratar empresas tailandesas que empregavam crianças em condições sub-humanas foi o estopim para uma onda de “social responsabilismo”. Para quem não sabe, a Nike primeiramente alegou que não era obrigada a cuidar de seus fornecedores. A violenta queda nas vendas e a avalanche de críticas fez a empresa mudar o discurso, se retratar, contratar uma empresa de RP para mudar sua imagem e criou uma diretoria responsável por monitorar seus fornecedores e dar diretrizes básicas para contratações. Leia o restante do post »

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Estratégias abertas: um caso extremo

Ricardo | April 2, 2008

Um dos mais esquisitos e talvez inovadores projetos que li recentemente, tanto em termos estratégicos de negócio quanto em comunicação, é a Premium Cola. Há muita coisa interessante de se ler no artigo (em inglês) aqui reproduzido. Mas, sumarizando rapidamente, essa empresa alemã surgiu da insatisfação de alguns clientes da Afri-Cola (um ícone pop alemão) com as mudanças na fórmula e nos negócios dela. E o que seria o negócio Premium Cola? Apesar de basearem seu produto na fórmula original da Afri-Cola, tudo o mais é diferente. O negócio deles é ser uma empresa totalmente aberta: o produto não tem segredo (a fórmula é reproduzida no frasco); não há contratos formais (vale a palavra); não há escritórios; tudo é “terceirizado”, mas os terceiros são acionistas da empresa – até mesmo antes do “proprietário de fato”, Uwe Lübbermann; a comunicação é feita sem nenhuma publicidade ou propaganda; o consumidor decide partes do negócio do cliente por fóruns online abertos (é possível até que o consumidor se torne distribuidor da marca).

Há múltiplas questões a serem discutidas. Um: é possível replicar em grande escala essa estratégia? Dois: Será que é possível replicar em outros países essa visão (por exemplo, no Brasil, onde impera a impunidade e os nortes morais são mais fluidos)? Três: o portfólio dessa empresa se restringe a um único produto. O que aconteceria na gestão de um portfólio maior ou num produto de cadeia mais complexa?

A PSFK acerta o alvo, ao dizer que, de fato, o principal produto deles é a ideologia (e não a Cola). Mas seria isso suficiente para se manter viva e gerar lucros a todos?

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Nada mais velho do que o novo

Ricardo | October 9, 2007

AdaptaçãoLeio na Folha de São Paulo que a Sony BMG decidiu abrir uma nova empresa, chamada Day1, que será uma espécie de gerenciadora de carreira dos artistas do selo. Isso aparece como uma grande novidade, o que na verdade não é. Novidade era em 2000, quando o selo Discipline Global Mobile resolveu adotar um sistema inovador de gerenciamento de carreira, que contemplava não somente o agenciamento do artista, mas tudo: desde as gravações até a venda de merchandise – com uma diferença: era tudo no risco, para ambos os lados. Ou seja, era como uma “venture capital” para artistas – diferentemente do modelo ainda vigente, onde a gravadora “adianta” o investimento, jogando o risco no artista e detendo todos os direitos depois. O modelo deles evoluiu em direção à distribuição via BitTorrent de álbuns ao vivo (algo que o Pearl Jam e o Wilco passaram a fazer depois).

O que a SonyBMG estão fazendo é simplesmente a verticalização do negócio fonográfico: eles sabem que hoje o dinheiro está na ponta de baixo, e não mais na distribuição (a Apple e a Amazon tendem a dominar a partir de agora, agregando os serviços que as gravadoras não quiseram oferecer). Essa verticalização nada mais é do que repeteco do que aconteceu na década de 50, como mostrou Charles Perrow no excepcional Complex Organizations, um livro de ensaios que, em um mísero capítulo, praticamente conta tudo que você precisaria entender sobre o mercado fonográfico e o mundo das indústrias criativas.

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As revistas de luxo à moda brasileira

Ricardo | June 11, 2007

Trabalhar numa agência faz com que você observe algumas coisas bizarras de nosso universo brazuca. Uma delas é a quantidade de revistas disputando o tal mercado AAAAA+. Da Abril a editoras minúsculas, com títulos esdrúxulos como a V (revista de luxo da Volkswagen??? Quem merece?), todas querem atuar nesse mercado mais do que saturado. O pior é que praticamente nenhuma se salva em conteúdo: trata-se de uma versão piorada e afetada dos catálogos Avon, só que mais carregado de zeros.

Sei, da boca pequena, que boa parte delas só existe para esquentar peças fantasmas das agências nacionais, uma situação surrereal que só no Brasil mesmo. Ou seja, criam-se veículos sem leitores para veicular peças inexistentes para um público que não existe, já que não é uma revista para ser lida etc…

E as poucas para serem lidas, como a Bravo, são tão indigentes em termos de cultura que ainda acham Marisa Monte relevante (só se for como marketeira…).

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Starbucks deveria fechar capital?

Ricardo | May 25, 2007

StarbucksUm dos textos mais instigantes que li recentemente está no interessante blog ChangeThis, criado pelo Seth Godin como uma espécie de megablog de “manifestos”. Tirando 80% de exageros e muitas palavras de ordem e semi-motivacionais, há ótimos achados, já que alguns dos escritores realmente possuem algo a dizer.

Por exemplo, John Moore, que já foi diretor nacional da cadeia Whole Foods e de varejo no Starbucks, abre uma discussão sobre um famoso memorando interno que vazou, escrito no início de 2007 pelo CEO da Starbucks. Nesse, Jim Donald fala sobre a percepção de comoditização da marca que começa a corroer a experiência de loja que sempre tiveram. Por exemplo, ele questiona se a mudança para máquinas automáticas de café espresso não tiraram justamente a cara artesanal e pessoal que a loja sempre teve, entre outros questionamentos que claramente afetariam muito da expansão da empresa.

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Prioridades

Ricardo | April 18, 2007

Leio na Coluna do Adonis uma notícia que enche meus olhos de felicidade e orgulho:


AVATAR DO PRESIDENTE TAMBÉM FOI À FESTA



Bologna foi ao lançamento


O sucesso da festa de lançamento da TAM no site Second Life foi traduzido em números. Depois de três horas e 45 minutos, entre 20 horas e 23h45 da última segunda-feira (16), 726 internautas acessaram o evento realizado na fictícia ilha Berrini, que ficou lotada de avatares. Do total de participantes, 630 foram à pista de dança e 386 retiraram brindes e balões da companhia aérea. O cuidado da LOV na produção da festa chegou à minúcia de criar um avatar para o presidente da TAM, Marco Antônio Bologna. O evento contou com DJ’s e garçonetes servindo aperitivos, além de aparelhos de TV de plasma para a transmissão de um vídeo institucional da empresa.

Sem qualquer crítica aos amigos da LOV (gente super bacana e competente), mas as empresas aéreas brasileiras são campeãs do mau atendimento, da falta de suporte ao usuário, de sites ruins de doer, de sistemas de milhagem complicados… E a melhor coisa em que poderiam gastar dinheiro é na presença da marca no Second Life? Have a life…

Tudo bem, vão dizer que uma coisa não exclui a outra, que se trata de uma estratégia de longo prazo, blablabla. Mas que medidas mais simpáticas no momento, que demonstrassem o respeito da TAM pelo passageiro teriam muito mais impacto, não tenho dúvidas. Aliás, faz falta a presença do marketing original da TAM. Muito mais inteligente e importante do que o avatar do presidente que fez a empresa se tornar o patinho feio das empresas aéreas nacionais. Isso porque vivemos um duopólio…

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Marketing Reverso

Ricardo | March 15, 2007

Nota publicada no Sustainable Is Good dá conta do esforço dos produtores do excelente adoçante Splenda para bloquear tentativas de “propaganda negativa” da marca. Como? Comprando dezenas de DNS que poderiam servir para denegrir a imagem da marca. Domínios como splendakills.com e victimsofsplenda.com foram comprados.Splenda

Agora, cá entre nós, não é suspeito que a própria empresa compre domínios com este tipo de “denúncia”? Não fica com cara de que a marca está escondendo algo dos consumidores? Será que não há maneiras menos subreptícias de se controlar a informação, ou melhor dizendo, minimizar possíveis danos de imagem causados por possíveis efeitos negativos do produto? Porque no mundo atual, controlar qualquer coisa só na cabeça de malucos e interessados em semear teorias conspiratórias…

Post levemente baseado em Seth Godin, que passou o link original.

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Momento publicidade

Ricardo | February 28, 2007

O blog do Ricardo Cavalini, o Coxa Creme, publicou um articolozinho com uma citação para cá. Eu igualmente recomendo a leitura do texto do Seth Godin sobre o plano de marketing para seu livro The Purple Cow. É interessante notar o caráter de “abertura” de sua estratégia, assumindo riscos que a maioria das empresas jamais assumiriam.

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Ainda não aprenderam com a bolha da Internet

Ricardo | January 31, 2007

A nova onda é dizer que a TV acabou. Que o conteúdo será gerado pelos usuários e não mais por malvadas corporações.

É mais ou menos o mesmo papo que os músicos diziam quando do lançamento do rádio: que iria acabar com os shows ao vivo. O máximo que fez foi cair a venda de partituras…

Ou então quando a TV surgiu – o rádio estava morto. Pura balela.

O ser humano tem algo inato de buscar o conforto e a comodidade. É por isso que o rádio continua sendo o principal formato para se ouvir e descobrir música, até hoje (sim, a Internet ainda é incipiente neste ponto – não surgiu nenhuma Madonna do universo musical da web). É por isso que a maioria ainda vai preferir, por muito tempo, sentar na frente da TV e esperar que “mandem” o conteúdo pronto, sem a pentelhação de “achar algum programa”. É por isso que os canais a cabo acabam servindo como um meio de campo entre a salada de ser tudo aberto (o que não dá indicativos ao consumidor) e as limitações da TV aberta (poucas opções). Leia o restante do post »

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