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Efeitos Transmedia I

Ricardo | August 12, 2008

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Desde a publicação do trailer do filme Watchmen, baseado no espetacular quadrinho de Alan Moore, houve um pedido de mais de 200.000 exemplares pelas livrarias norte-americanas. Ou seja, um mísero trailer fez um livro, publicado há mais de 20 anos aparecer pela primeira vez na lista de mais vendidos da US Week, com destaque para o fato de ser uma HQ.

Update: O New York Times reporta que foram pedidos mais 900.000 cópias de Watchmen, o que levaria a uma venda esperada de 1 milhão de exemplares só este ano. Durante o ano passado inteiro, Watchmen teria vendido 100.000 cópias.

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‘Fringe’, transmídia e porque estamos obsoletos

Ricardo | August 6, 2008

Fringe - a HQ da série de TV

J.J. Abrams é um produtor antenado nas novas formas de se contar uma história e ainda ganha muito dinheiro com isso. Isso nós sabemos. Afinal, ele criou Alias e Lost, séries que rompiam com o isolamento das séries na mídia televisiva.

Que ele gosta de espalhar o seriado para além da TV, isso também vimos, como foi o caso do livro encontrado na mão de um dos personagens, e que virou best-seller.

Que Abrams também é fascinado pelo mundo dos quadrinhos, parece também não haver dúvidas.

A grande novidade, porém, é que ele escolheu começar Fringe, sua nova empreitada, em uma série em quadrinhos, pelo selo Wildstorm/DC, e que, em seguida, seguirá em paralelo à própria série. Além disso, diferentemente de todas as iniciativas anteriores, onde quem fazia a HQ era alguém de fora da produção da série da TV (caso de Star Wars: The Clone Wars), a nova série Fringe será igualmente escrita pelos roteiristas e produtores da série de TV, como reporta o site Newsarama.com.

Do ponto de vista criativo, trata-se de um grande passo na direção de destruir as barreiras entre áreas criativas em mais uma das indústrias (no caso, broadcasting e publishing). Quem escreve uma HQ, também escreve uma série de TV, escreve um livro e nenhum mais é mais importante que o outro. Todos se complementam.

E por que isso é importante para a comunicação? Porque fica claro que esta mistura de mídias e de formas de se contar histórias oblitera o conceito de propaganda como ela ainda é feita no Brasil, no formato 30 segundos e “página dupla”, com um viralzinho na internet para dizer que faz digital. Ela também demonstra que conteúdo e meios estão hoje totalmente separados – e é cada vez mais difícil esperar que eles um dia voltem a se juntar. A “regra” parece ser QUALQUER conteúdo em QUALQUER mídia.

Enquanto isso, a Mother, na Inglaterra, depois de desenvolver um festival de comédia para a Diageo, um filme da própria agência premiado em festivais, e agora criar um musical para Pot Noodle, mostra que a distinção entre criar conteúdo e criar publicidade é cada vez mais irrelevante. Aliás, como a Mother sobreviveria num país onde criação e o planejamento não valem nada, já que faz tudo parte do pacote de mídia e não rola BV?

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O papel político do planejamento

Ricardo | July 7, 2008

(texto originalmente preparado para o Blog do Grupo de Planejamento)


Este não é um texto de resumo de tudo que aconteceu no Papo de Boteco 2008, evento do Grupo de Planejamento que rolou semana passada na ESPM, mas uma palavrinha insistia em bater na minha cabeça o tempo todo, pois apareceu disfarçada diversas vezes em vários dos assuntos abordados. A palavrinha era poder. 

Sim, amigos planejadores, vocês são atores políticos na agências. É claro que todo funcionário é um ator no teatro das empresas, mas o planejamento cada vez mais ocupa um papel central nestas peças. Uma das discussões mais quentes apareceu quando o assunto integração surgiu. Os erros fatuais são de minha responsabilidade aqui. A Cynthia Horowicz comentou que cada vez mais o planejamento tem tido a função de ocupar espaços em que ninguém assume, como por exemplo, coordenar ou gerenciar projetos que envolvem certa complexidade de disciplinas, atuando como integrador das áreas. O Ulisses Zamboni complementou dizendo que o papel do integrador (na falta de outro nome) será abordado no Congresso da ABAP, mas em resumo, que qualquer área pode assumir ser esta figura, contanto que suas habilidades tenham a ver com o processo em questão (o que não chega a ser exatamente uma revolução). O Fernand Alphen, por sua vez, acha que isso é função do tráfego. Na verdade, tudo isso esconde dois problemas claros:


  • A complexidade da publicidade atual vai muito além da estrutura atual das agências de publicidade. E o tráfego não é o ser adequado para esta posição. É como colocar o supervisor da linha de montagem para entender como o consumidor será impactado em todas as pontas. Hoje, as consultorias e agências digitais já tem a figura do Gerente de Projetos, como uma boa solução do ponto de vista operacional. Mas e do ponto de vista estratégico? Com quem nosso amigo anunciante conta na agência?

  • O planejamento, certo ou errado, cada vez mais tem o respaldo do cliente como “centro de inteligência da comunicação” da agência. Sei de casos de grandes agências brasileiras que foram obrigadas a montarem departamentos porque seus clientes exigiram, mesmo com sócios que não acreditam na disciplina. Aqui, é fundamental voltarmos ao que nosso outro vovô do Planejamento, Stanley Pollitt, dizia e que, para mim, ainda é a melhor definição do que somos: ‘planejamento é a voz do consumidor na agência’. Se isso for verdade para nosso amigo anunciante, isso põe o planejamento como o centro das decisões de mercado na agência.

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Microsoft e a síndrome do produto/marca

Ricardo | June 30, 2008

Uma das discussões mais interessantes no recente Brainstorm#9 foi a respeito do poder da Crispin+Porter de “salvar” a Microsoft e transformá-la numa marca cool. O Cavallini lembra que o XBox já é cool e que, portanto, a Microsoft consegue já ser uma marca desejada. Sou obrigado a discordar disso. A Microsoft não é cool: o XBox sim. Por um acaso, ele é da Microsoft. O que acontece é algo simples e mais comum do que a rejeição: a Microsoft é apenas uma marca não rejeitada. Leia o restante do post »

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Moda no Brasil e consolidação

Ricardo | June 12, 2008

Em plena semana de Fashion Rio e migrando para a Fashion Week, é interessante observar a investida dos grupos de investimento em dois setores tipicamente artesanais e familiares no Brasil: o setor de moda e o setor alimentício. Sobre o segundo, falarei depois. Mas agora vale a pena entender porque o setor de moda se tornou alvo, como se vê na investida da I’M (que, aliás, já quebrou – mas isso é por conta do passado nebuloso dos controladores deste fundo, e não por conta das marcas ou da gestão em si).

E porque isso acontece, e só agora? Antes que falem em “efeito Lula” ou “a economia está crescendo”, nesse caso específico, não tem muito a ver com isso, não. Há dois fatores principais: o desenvolvimento de um mercado de moda mais maduro e o surgimento de uma classe de criativos de moda. Leia o restante do post »

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O que é fazer marketing editorial - I

Ricardo | October 9, 2007

Na Book Expo America de 2007, um dos reports mais interessantes foi da área de HQs, que estão cada vez mais migrando das editoras especializadas e lojas de quadrilnhos para as grandes editoras e livrarias. Um exemplo está no relançamento de toda a coleção de Tintim pela Little, Brown (que nunca teve experiência na área) – ou aqui no Brasil pela Cia. das Letras, outra neófita no segmento.

Mas o tópico aqui é outro: trata-se da ótima peça de publicidade feita pela Boom Studios para seus recém-lançados Trade Paperbacks.

edit: o link se perdeu foi foi retirado do Flickr. Pena.

Será que um dia chegarão nesse padrão de qualidade por aqui?

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Como adendo à ultima nota

Ricardo | June 19, 2007

... o ministro Paulo Bernardo, do “desPlanejamento”, na verdade um capacho do José Dirceu, acaba de dar aumentos de 30% a 137% aos empregados lotados em cargos comissionados no governo federal (na grande maioria, petistas nada técnicos, mas isso não vem ao caso). Sabe qual a justificativa? Equiparação com os salários da iniciativa privada. Ué, mas a Veja não havia dito o contrário?

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Novidade que não tem nenhuma novidade

Ricardo | February 16, 2007

Uma “novidade” na imprensa que nada tem de novidade é a existência de editoras que editam livros pagos pelos autores. Temos a PSL e a Scortecci para provar o ponto no Brasil. Também não chega a ser novidade que estas editoras ganham dinheiro com isso. A Folha fala sobre mais um caso destes: a Lulu.com, que “cresce com livros de autores desconhecidos”. E qual a novidade então?

logo_lulu.gifA novidade foi entender o tipo de serviço que este tipo de editora deve prover e pode prover com a tecnologia. Ela agora consegue prover serviços melhores, mais rápidos, mais eficientes e por muito mais tempo que uma mera editora sob encomenda. Por exemplo, a Lulu.com permite a criação de blogs pelos autores, o que estende a experiência do livro por mais tempo, ao deixar o escritor por mais tempo em evidência. Lembremos: livros sob encomenda tendem a encalhar depois da “festinha” de lançamento.

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Porque as gravadoras vão tão mal - II

Ricardo | February 13, 2007

Da categoria eles não aprendem, vem a notícia de que as gravadoras brasileiras apostam em coletâneas para crescer (ou melhor, sobreviver) no mercado nacional. Esta foi a estratégia que as gravadoras também utilizaram na década de 1970 – e que levou ao maior buraco da história delas…

Enquanto lá fora as gravadoras se renovam e tentam ganhar dinheiro com edições luxuosas de artistas, cheias de bonus tracks e livros, ou com formatos digitais de boa qualidade (iTunes), as gravadoras brasileiras, sempre na vanguarda, lançam reedições sem qualquer extra, com som cheio de defeitos (vide as porcas remasterizações dos primeiros álbuns de Adoniran Barbosa na Odeon), capas mal-feitas e disponibilizam arquivos digitais no formato mais atrasado e complicado de todos (WMA), que não toca em iPod. Para completar, um mísero álbum do Raconteurs custa 39 reais, ou praticamente 4 reais por faixa. É assim que se faz uma indústria forte, dando ao povo o que ele quer! No caso, falo dos piratas: custo baixo para qualidade próxima do original…

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A armadilha do best-seller

Ricardo | January 15, 2007

Uma das maiores complicações nas indústrias de criação está na dificuldade de previsibilidade da receita e a dependência extrema em best-sellers para gerar lucros extraordinários. Quando a empresa é de capital aberto, a situação fica ainda mais complicada, especialmente quando se presta contas a investidores que não entendem estas especificidades do negócio criativo. A matéria da Folha de São Paulo diz com todas as letras: Sem Harry Potter, lucros de editora britânica despencam.

O que isso significa a longo prazo? Que a editora não vai mais crescer? Que a editora estaria mal das pernas? Não necessariamente, como se sabe. Na verdade, fenômenos como Harry Potter são eventos muito raros. Além do mais, nada impede uma editora que esteja muito mal das pernas de apostar em um título e acertar.

Dilemas a serem enfrentados por nós, pesquisadores.

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