Como uma bobagem estatística pode transformar o Brasil em Índia – Reloaded
Há mais de um ano, tenho mostrado que as contas brasileiras de estatística são absolutamente equivocadas e erradas. Por exemplo, existe um consenso de que a Classe C significaria uma classe média brasileira e, segundo a FGV do Rio, chegamos a 51% de classe C no Brasil pela primeira vez. Hummmm.
Primeiro: a pesquisa só considera regiões metropolitanas, ou seja, regiões de renda mais alta que a média nacional.
Segundo: diz que uma família com renda de R$ 1.040 pode ser chamada de classe média, um absurdo gigantesco. Considerando a média de 4 membros por família, temos 250 reais por pessoa, menos de um salário mínimo. O problema está no fundamento: como o cálculo é feito a partir do salário mínimo (que obviamente é defasado), ele joga a classe média para baixo.
Terceiro: o conceito de classe média considera que, para alguém ser considerado desta classe, é necessário ter renda suficiente para o sustento básico e também para excedentes (ou seja, gastos em lazer, cultura e investimento). Uma família que tenha renda de 2000 reais, morando no Rio ou em São Paulo, não possui renda suficiente para excedentes e investimento e, portanto, pode ser no máximo considerada uma classe baixa remediada.
O pior é ver uma bobagem destas publicada sem qualquer questionamento, como se fosse algo divino caído do céu e definida por Deus. Estatísticas também mentem.
| Print article | This entry was posted by Ricardo on August 6, 2008 at 1:34 pm, and is filed under Sociologia. Follow any responses to this post through RSS 2.0. You can leave a response or trackback from your own site. |

