Sim, a Virgin também quebra a cara
Ricardo | August 27, 2008Se voc nunca esteve aqui, voc talvez queira assinar esse blog via RSS feed. Obrigado pela visita!
A última idéia de Branson não foi exatamente sua mais brilhante. Após apenas alguns meses, a Virgin Comics, seu braço de quadrinhos fundada em parceria com Deepak Chopra (sim, ele mesmo) e contando com nomes do calibre de John Woo, Guy Ritchie e Nicholas Cage (para quem não conhece quadrinhos) e Garth Ennis, Mike Carey e Gary Erskine (para quem conhece quadrinhos), simplesmente faliu. Há uma extensa discussão sobre o tema e as patéticas premissas do negócio (que só poderia acabar do jeito que acabou) na Publisher’s Weekly, como por exemplo a idéia de que uma editora de quadrinhos nada mais é do que uma plataforma de lançamento de personagens (properties), mesmo que estas revistas sequer vingassem ou fossem lidas.Na verdade, este post é uma desculpa para falar sobre fracasso e fama. A Microsoft, via CP+B, parece ter contratado Michel Gondry para dirigir a futura campanha de convencimento que o Ruindows Vista presta* e que a Microsoft não é quadrada, e sim a última azeitona da empada. Em conversa twitada com o Ken Fujioka, lembrei que o Gondry também fez campanhas clássicas para Motorola, Polaroid, Levi’s, The Gap e nenhuma delas é exatamente exemplo de marcas que se recuperaram, mesmo com campanhas ditas brilhantes.
E nestas horas, lembro como freqüentemente em nossos trabalhos de planejamento, adoramos citar marcas e campanhas cujo sucesso é inquestionável – exceto que não sabemos se realmente foi um sucesso (ou seja, impactou vendas, melhorou imagem de marca ou ajudou a resolver o problema de negócio da anunciante). A Virgin é uma daquelas empresas, junto com a Apple e a The Body Shop (que também passa por vacas magras) sempre citadas como benchmarks. Acontece que a fama das campanhas parece ser maior do que efetivamente o sucesso delas em gerar resultados efetivos. Colgate tem as campanhas mais quadradas, óbvias e manjadas da categoria, mas a imagem da marca continua lá em cima, e nem com todo o esforço da Unilever via Close-Up, conseguiu mexer no market share de pasta de dentes. Ao mesmo tempo, a Colgate conseguiu substituir Kolynos por Sorriso, inovando no uso de ingredientes nacionais e com campanha tão popular que parece feita para a Classe E. Veja como lembra A Praça É Nossa:
Afinal, será que não olhamos ainda o sucesso de uma campanha como se ela fosse separada da empresa, como se a campanha terminasse nela mesma? Por isso mesmo, viva os Effies!
*(não presta, usei outro dia e é a pior peça de arquitetura de informação desde o Windows NT – conectar numa rede wireless é algo para profissionais de TI).






vc nao acaba cometendo o mesmo erro que critica? creditar
cava | August 28, 2008vc nao acaba cometendo o mesmo erro que critica? creditar as campanhas todo sucesso e fracasso dos anunciantes?
Não, tanto que digo que o problema é que não
Ricardo | August 28, 2008Não, tanto que digo que o problema é que não consideramos o todo: raramente temos o “pós-campanha”. Assistimos os Gold e Silver de Cannes e pressupomos que isso signifique (mesmo que saibamos que não) resultado e sucesso. É apenas disso que falo. Não é preto-e-branco.
O caso Colgate é um exemplo do que digo de dissociação entre “sucesso de crítica” de campanha e resultados, para provar meu ponto de que Gondry servirá para fazer buzz e possivelmente um belo filme. Mas não salva o produto.
O fato é que, no fundo, o produto Colgate/Sorriso é sua maior comunicação. As campanhas servem apenas para manter clara a idéia de Colgate ser família, “tecnologia” e “dentes brancos”. E fazem isso há décadas, do mesmo jeito. Será que sustentação de marca dá mais resultado do que novidades o tempo todo?
Sobre gondry, sera que vc nao iria criticar se o
cava | August 28, 2008Sobre gondry, sera que vc nao iria criticar se o nome escolhido nao posse um peso pesado?
Em uma campanha de centenas de milhoes com o Seinfeld, o Gondry se destaca ou esta apenas dentro do mesmo criterio (sendo ele correto ou nao)?
A crítica é porque imagino que a campanha provavelmente virá
Ricardo | August 28, 2008A crítica é porque imagino que a campanha provavelmente virá bem, será super dentro do brief, vai deixar a marca menos chata etc. Falo isso dado o histórico do Gondry como criador e da CP+B como agência. Mas, volto à questão de alguns posts lá atrás (como diria o Patrice): a Microsoft continua não entregando um produto decente. Não vejo o sucesso do Vista (como ganhando mais mercado e explodindo de vendas) com base em campanha sem se mexer no produto.
Acho que o sucesso de empresas e campanhas estão cada vez mais intimamente ligadas: produto é parte da comunicação. A não ser que a campanha descubra um lado desconhecido do Vista e que nos abra os olhos para o que nunca foi visto (ha ha), vai ser uma grande campanha de hype.
e o produto nao melhor pq eles nao querem ou
cava | August 28, 2008e o produto nao melhor pq eles nao querem ou pq nao conseguem?
seu conselho seria nao fazer campanha?
A minha sugestão seria mostrar que a Microsoft está mudando
Ricardo | August 28, 2008A minha sugestão seria mostrar que a Microsoft está mudando de estratégia e aí sim fazer uma campanha mostrando que a Microsoft está ouvindo o consumidor, se abrindo etc. A campanha tem que ser sobre a Microsoft se acertando, e não dizendo que estava certa e o consumidor errado – que parece, a princípio, ser o norte da idéia (que é: as pessoas que dizem que o Vista é ruim nunca usaram Vista).
De novo, Cava, o problema não é a campanha e se é fazer ou não: é sobre o quê, e quais as prioridades de comunicação.
mas neste caso, ja sabemos qual sera a mensagem? nao
cava | August 28, 2008mas neste caso, ja sabemos qual sera a mensagem? nao é melhor esperar a campanha?
Esperemos a campanha, então. Mas até onde li, tudo indica
Ricardo | August 28, 2008Esperemos a campanha, então. Mas até onde li, tudo indica que não haverá mudança de estratégia na Microsoft com relação ao Vista.
em relacao ao vista? mas tem opcao?
cava | August 28, 2008em relacao ao vista? mas tem opcao?
Com o dinheiro deles? Tem. Um bom começo seria eliminar
Ricardo | August 28, 2008Com o dinheiro deles? Tem. Um bom começo seria eliminar as 200 versões de Vista existentes e simplificar em uma só. Não há razão para complicar tanto a vida do consumidor (e falo isso porque tive que comprar uma licença de Vista e simplesmente não sabia qual deveria comprar para o meu irmão). Estou dando um exemplo de fora, não estou dentro (ou perto) da marca para saber o que se passa lá dentro. Mas há coisas simples a serem feitas.
Eu nao sei nao, acho que voce esta pedindo pro
cava | August 28, 2008Eu nao sei nao, acho que voce esta pedindo pro macaco ter bons modos a mesa.