O silêncio pode significar algo
Talvez isso seja sinal de velhice, rabugentice ou mesmo (mais provável) uma queda criativa (no sentido de se criar algo, não de criativo=artista). E eis que me vejo diante de um tema interessante: como elaborar um artigo relevante se não temos hoje em dia sequer tempo para elaborar um pensamento original, se mal temos tempo de parar e ponderar sobre um tema?
Pior: não só não ponderamos, como noto uma mesmice de teorias e respostas, em grande parte causadas pela SÃndrome da Pesquisa Google. Essa sÃndrome se baseia no fato que boa parte das “respostas” do mundo estão nas 2 primeiras páginas de resposta do Google. Cada vez menos, percebo, há uma busca por uma resposta inovadora, quando se tem ali, de graça, o Top 10 das Respostas para qual o melhor meio de se clarear os cabelos. Ou da necessidade de se defender o meio ambiente. Ou da universidade que fala em Responsabilidade Social como sinônimo de desconto na matrÃcula. É mais fácil assim: cópia e cola.
Fui para Recife outro dia ver grupos de pesquisa e eis que me deparo com discursos muito semelhantes, uma certa teatralidade nas pessoas, como que respondendo o que parece mais lógico, mas não o que sentem. Sim, é um problema metodológico, mas é também uma tendência que não via antes nas classes mais baixas (que eram grupos geralmente travados e com grande dificuldade de abstração). Agora não: eles também dão sua opinião, mas que em geral é fruto de mÃmica (frases clichés, muitas vezes descontextualizadas). Nenhuma segue a moda, mas pedem para as marcas aparecerem na TV. Todas gastariam mais por produtos eticamente responsáveis, mas ao mesmo tempo, todas vão na marca lÃder ou em cópias baratas, e nunca pedem nota.
Idéias? De onde elas virão sem a reflexão?
| Print article | This entry was posted by Ricardo on September 24, 2007 at 2:49 pm, and is filed under Comunicação. Follow any responses to this post through RSS 2.0. You can leave a response or trackback from your own site. |

