Além do tempo escasso, não tenho postado simplesmente por falta de assuntos relevante a se desenvolver. Não tenho observado grandes mudanças ou algo que realmente tenha me feito parar para elaborar algo.

Talvez isso seja sinal de velhice, rabugentice ou mesmo (mais provável) uma queda criativa (no sentido de se criar algo, não de criativo=artista). E eis que me vejo diante de um tema interessante: como elaborar um artigo relevante se não temos hoje em dia sequer tempo para elaborar um pensamento original, se mal temos tempo de parar e ponderar sobre um tema?

Pior: não só não ponderamos, como noto uma mesmice de teorias e respostas, em grande parte causadas pela Síndrome da Pesquisa Google. Essa síndrome se baseia no fato que boa parte das “respostas” do mundo estão nas 2 primeiras páginas de resposta do Google. Cada vez menos, percebo, há uma busca por uma resposta inovadora, quando se tem ali, de graça, o Top 10 das Respostas para qual o melhor meio de se clarear os cabelos. Ou da necessidade de se defender o meio ambiente. Ou da universidade que fala em Responsabilidade Social como sinônimo de desconto na matrícula.  É mais fácil assim: cópia e cola.

Fui para Recife outro dia ver grupos de pesquisa e eis que me deparo com discursos muito semelhantes, uma certa teatralidade nas pessoas, como que respondendo o que parece mais lógico, mas não o que sentem. Sim, é um problema metodológico, mas é também uma tendência que não via antes nas classes mais baixas (que eram grupos geralmente travados e com grande dificuldade de abstração). Agora não: eles também dão sua opinião, mas que em geral é fruto de mímica (frases clichés, muitas vezes descontextualizadas). Nenhuma segue a moda, mas pedem para as marcas aparecerem na TV. Todas gastariam mais por produtos eticamente responsáveis, mas ao mesmo tempo, todas vão na marca líder ou em cópias baratas, e nunca pedem nota.

Idéias? De onde elas virão sem a reflexão?