Quando a gente acha que o fundo do poço chegou, sempre se é capaz de novas surpresas, quando se trata do capitalismo no Brasil. Essas notas vieram da coluna Radar On Line, da Veja:

BNDES entra na Springs/Coteminas

Em meio à turbulência dos mercados, a Springs Global Participações, do vice-presidente José Alencar, decidiu promover uma oferta pública de ações. Vai levantar 600 milhões de reais. Até aí, beleza. O processo está inclusive registrado na CVM. A novidade: a empresa terá a ajuda do governo, via BNDES.

A Springs Global Participações é um gigante lucrativo e globalizado. Trata-se da holding que detém o controle da Coteminas, maior indústria têxtil do Brasil. E é dona também da Springs, a maior fabricante de produtos de cama e mesa dos EUA. A decisão de fazer a oferta pública foi de Josué Christiano Gomes da Silva, filho de Alencar e executivo número 1 da Springs/Coteminas. O Credit Suisse está liderando a operação.

Mas o negócio não saiu fácil. Só conseguiu ser concretizado depois que o Credit Suisse convenceu o BNDES a comprar quase 150 milhões de reais em papéis da empresa. Quem conhece o mercado acredita que estes 25% da operação comprados pelo BNDES terão que ficar encarteirados nos cofres públicos por um bom tempo.

A lista de compradores também incluiu um fundo estrangeiro. O negócio está para ser anunciado oficialmente nos próximos dias.


Essa é uma das características do capitalismo brasileiro: os negócios de peso sempre tem o dedo do governo, não como fomentador, mas como tomador do risco. É o mesmo conceito da Lei Rouanet, que dá R$ 1 milhão para uma cantora meia-boca, voltada para um público abonado (Vanessa da Mata) gravar um DVD.

O lucro é deles, o prejuízo é nosso.