A volta do patriarcalismo
Phillip Longman trata da volta do patriarcalismo e outros valores tradicionais como uma tendência de curto e médio prazo. Sua lógica se baseia numa premissa relativamente simples e perfeitamente observável: as diferenças entre as taxas de natalidade da chamada classe média urbana dos paÃses desenvolvidos e das populações carentes e dos bolsões pobres dos paÃses em desenvolvimento. Enquanto a classe média praticamente parou de ter filhos e cresce negativamente, temos nas famÃlias mais religiosas e conservadoras há uma explosão demográfica. Isso é observável em São Paulo: na cidade, o crescimento vegetativo é negativo, enquanto nas cidades ao redor da cidade, o crescimento chega até 4% ao ano, e não causado pela migração, mas por natalidade mesmo.
São nestes locais, também, que proliferam as religiões neo-pentecostais, tradicionais defensoras de uma visão de mundo mais patriarcal, mais rÃgida e valores mais simplificados. Basta ver que um dos best-sellers deste público é A Batalha de Toda Mulher, um livro que praticamente defende a mulher passiva, devota ao marido de qualquer maneira, e livre de pensamentos impróprios (o que seria isso?)... O filme d’A Grande FamÃlia bateu em mais de 1 milhão de pessoas em menos de um mês, um assombro.
É interessante notar que a propaganda pouco tem apresentado este mundo em suas campanhas e muito pouco tem sido investigado sobre seus efeitos na sociedade como um todo. É interessante notar que os candidatos das igrejas neo-pentecostais tomaram uma surra nas últimas eleições, derrubando o mito do voto automático – e talvez refletindo algum distanciamento entre os rebanhos e suas lideranças (ao que tange suas práticas, não seus discursos).
| Print article | This entry was posted by Ricardo on February 13, 2007 at 3:44 pm, and is filed under Comunicação, Sociologia. Follow any responses to this post through RSS 2.0. You can leave a response or trackback from your own site. |


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