A Harvard Business Review Online apresentou sua lista de idéias inovadoras para 2007. Há levantamentos muito interessantes e algumas tendências que valem a pena serem acompanhadas. Vou destacar uma das mais importantes, que parece ser a volta de um certo tipo de conservadorismo.

Phillip Longman trata da volta do patriarcalismo e outros valores tradicionais como uma tendência de curto e médio prazo. Sua lógica se baseia numa premissa relativamente simples e perfeitamente observável: as diferenças entre as taxas de natalidade da chamada classe média urbana dos países desenvolvidos e das populações carentes e dos bolsões pobres dos países em desenvolvimento. Enquanto a classe média praticamente parou de ter filhos e cresce negativamente, temos nas famílias mais religiosas e conservadoras há uma explosão demográfica. Isso é observável em São Paulo: na cidade, o crescimento vegetativo é negativo, enquanto nas cidades ao redor da cidade, o crescimento chega até 4% ao ano, e não causado pela migração, mas por natalidade mesmo.

Tradicionalismo?São nestes locais, também, que proliferam as religiões neo-pentecostais, tradicionais defensoras de uma visão de mundo mais patriarcal, mais rígida e valores mais simplificados. Basta ver que um dos best-sellers deste público é A Batalha de Toda Mulher, um livro que praticamente defende a mulher passiva, devota ao marido de qualquer maneira, e livre de pensamentos impróprios (o que seria isso?)... O filme d’A Grande Família bateu em mais de 1 milhão de pessoas em menos de um mês, um assombro.
É interessante notar que a propaganda pouco tem apresentado este mundo em suas campanhas e muito pouco tem sido investigado sobre seus efeitos na sociedade como um todo. É interessante notar que os candidatos das igrejas neo-pentecostais tomaram uma surra nas últimas eleições, derrubando o mito do voto automático – e talvez refletindo algum distanciamento entre os rebanhos e suas lideranças (ao que tange suas práticas, não seus discursos).