A nova onda é dizer que a TV acabou. Que o conteúdo será gerado pelos usuários e não mais por malvadas corporações.

É mais ou menos o mesmo papo que os músicos diziam quando do lançamento do rádio: que iria acabar com os shows ao vivo. O máximo que fez foi cair a venda de partituras…

Ou então quando a TV surgiu – o rádio estava morto. Pura balela.

O ser humano tem algo inato de buscar o conforto e a comodidade. É por isso que o rádio continua sendo o principal formato para se ouvir e descobrir música, até hoje (sim, a Internet ainda é incipiente neste ponto – não surgiu nenhuma Madonna do universo musical da web). É por isso que a maioria ainda vai preferir, por muito tempo, sentar na frente da TV e esperar que “mandem” o conteúdo pronto, sem a pentelhação de “achar algum programa”. É por isso que os canais a cabo acabam servindo como um meio de campo entre a salada de ser tudo aberto (o que não dá indicativos ao consumidor) e as limitações da TV aberta (poucas opções).

O consumidor sempre navega entre os extremos de ter toda liberdade do mundo ou ser forçado a adquirir a única opção disponível. Muitas opções acabam dificultando o consumidor: a mente humana tem seus limites para processar tanta informação. É uma das razões de tão difícil tirar o hábito de se consumir uma marca como Omo. Eu a conheço, sei o que faz, mas não sei o que as outras 200 marcas podem me oferecer. Boa parte nem prefere arriscar. Ao mesmo tempo, poucas opções cria no consumidor uma reação natural de incômodo, de estar “perdendo” algo não tendo outras opções. É esse momento que faz com que o mercado de Omo se esvaia rapidamente para uma Tixan Ipê da vida…

É nesta linha meio torta e imprevisível que anda o consumidor.  Tudo isso para dizer que a TV irá sobreviver. Pode até ter novos formatos, alguma coisa a mais ou a menos. Mas não espere o mundo migrando para o mundo de vídeos aleatórios com tanta gana.