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Ainda não aprenderam com a bolha da Internet

Ricardo | January 31, 2007

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A nova onda é dizer que a TV acabou. Que o conteúdo será gerado pelos usuários e não mais por malvadas corporações.

É mais ou menos o mesmo papo que os músicos diziam quando do lançamento do rádio: que iria acabar com os shows ao vivo. O máximo que fez foi cair a venda de partituras…

Ou então quando a TV surgiu – o rádio estava morto. Pura balela.

O ser humano tem algo inato de buscar o conforto e a comodidade. É por isso que o rádio continua sendo o principal formato para se ouvir e descobrir música, até hoje (sim, a Internet ainda é incipiente neste ponto – não surgiu nenhuma Madonna do universo musical da web). É por isso que a maioria ainda vai preferir, por muito tempo, sentar na frente da TV e esperar que “mandem” o conteúdo pronto, sem a pentelhação de “achar algum programa”. É por isso que os canais a cabo acabam servindo como um meio de campo entre a salada de ser tudo aberto (o que não dá indicativos ao consumidor) e as limitações da TV aberta (poucas opções). Leia o restante do post »

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Proposta de sociologia do cigarro II

Ricardo | January 15, 2007

Fumante modernoVolto ao tema da sociologia do cigarro, minha tentativa barata de teorizar. É notável observar que o perfil típico do fumante “bacana” atual se encaixa no perfil “alternativo/moderno” dos jovens. Sim, é verdade que os adolescentes e pobres perfazem boa parte do público fumante, em especial das marcas mais populares, mas são os “modernos” que dão a atual cara de glamour e “descolamento” ao produto, na falta dos galãs de Hollywood.

Mas mais engraçado que isso é que se trata de um público geralmente anti-corporações, anti-marcas, anti-capitalista, “sou de esquerda” etc, sendo que o cigarro é um dos produtos mais prejudiciais a populações locais (o tabaco destrói o solo), e faz parte de um setor dominado por grandes conglomerados multi-nacionais ligados às práticas comerciais mais desleais e anti-éticas. São contribuintes fervorosos dos Republicanos, ou seja, fumou um cigarro, está dando dinheiro para George Bush. Não é irônico?

Gostosas também fumam, pois!

Ou ser moderno é ser incoerente e incongruente, ou a posição política deste povo é apenas uma maneira de se conseguir sexo mais fácil, já que a esquerda parece ser mais liberal do que a direita neste tipo de assunto. Nada mais status quo, mais reacionário, portanto, do que fumar.

Isso sem falar no culto à maconha, outra praga que “moderno” ignora (ou melhor, finge ignorar) seus efeitos sociais e econômicos. Tema de um próximo texto.

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Proposta de sociologia do cigarro - Interlúdio

Ricardo |

Aqui e ali se percebem manobras para tentar levantar uma bandeira da liberdade de se fumar – como se isso fosse liberdade de se fumar na minha cara. Liberdade deles, claro! A minha, que é a de respirar só poluição de automóvel, que se lixe.

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A armadilha do best-seller

Ricardo |

Uma das maiores complicações nas indústrias de criação está na dificuldade de previsibilidade da receita e a dependência extrema em best-sellers para gerar lucros extraordinários. Quando a empresa é de capital aberto, a situação fica ainda mais complicada, especialmente quando se presta contas a investidores que não entendem estas especificidades do negócio criativo. A matéria da Folha de São Paulo diz com todas as letras: Sem Harry Potter, lucros de editora britânica despencam.

O que isso significa a longo prazo? Que a editora não vai mais crescer? Que a editora estaria mal das pernas? Não necessariamente, como se sabe. Na verdade, fenômenos como Harry Potter são eventos muito raros. Além do mais, nada impede uma editora que esteja muito mal das pernas de apostar em um título e acertar.

Dilemas a serem enfrentados por nós, pesquisadores.

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Para começar 2007, um pouco de historia

Ricardo | January 9, 2007

De um futuro artigo na revista Enterprise & Society. Muito interessante, mostrando que a tal elite brasileira sempre foi mais ampla do que os clichés costumam indicar e sensivelmente menos concentrada do que no México.


Bankers, Industrialists, and Their Cliques: Elite Networks in Mexico and Brazil during Early Industrialization


Authors: Aldo Musacchio and Ian Read
Abstract

The historiographies of Mexico and Brazil have implicitly stated that business networks were crucial for the initial industrialization of these two countries. Recently, differing visions on the importance of business networks have arisen. In the case of Mexico, the literature argues that entrepreneurs relied heavily on an informal institutional structure to obtain necessary resources and information. In contrast, the recent historiography of Brazil suggests that after 1890 the network of corporate relations became less important for entrepreneurs trying to obtain capital and concessions, once the institutions promoted financial markets and easy entry for new businesses. Did entrepreneurs in Brazil and Mexico organize their networks differently to deal with the different institutional settings? How can we compare the impact of the institutional structure of Mexico and Brazil on the networks of entrepreneurs and entrepreneurial finance in general? We explore these questions by looking at the networks of interlocking boards of directors of major joint stock companies in Brazil and Mexico in 1909. We test whether in Mexico businessmen relied more on networks and other informal arrangements to do business than in Brazil. In Brazil, we expect to find less reliance of businesses on networks given that there was a more sophisticated system of formal institutions to mediate transactions and obtain capital and information. Our hypothesis is confirmed by three related results: 1) the total number of connections (i.e., the density of the network) was higher in Mexico than Brazil; 2) In Mexico there was one dense core network, while in Brazil we find fairly dispersed clusters of corporate board interlocks; and most importantly, 3) politicians played a more important role in the Mexican network of corporate directors than their counterparts in Brazil. Interestingly, even though Brazil and Mexico relied on very different institutional structures, both countries grew at similar rates of growth between 1890 and 1913. However, the dense and exclusive Mexican network might have ended up increasing the social and political tensions that led to the Mexican Revolution (1910-1920).

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