Freqüentemente acontece de me deparar com idéias reducionistas que colocam o brasileiro classe média no mesmo Panteão dos milionários e ricos, simplesmente por conta do maldito Critério Brasil de análise de mídia.

Para quem não conhece, o Critério Brasil estima o poder de compra dos brasileiros a partir dos dados do LSE (Levantamento Sócio Econômico) do IBOPE Mídia. No frigir dos ovos, é dele que surgem as famosas divisões de Classe Social utilizadas nos ambientes de marketing e de agências de publicidade (classe A, B, C, D e E). Neste tosco critério, faz parte dos milionários brasileiros (Classe A1) aqueles cuja renda familiar é de R$7.793,00 em média (ou espetaculares US$3.500 por família, em dez/06). Ou seja, se o pai e a mãe ganharem R$3000 reais cada, mais um filho estagiando, seriam co-irmãos do Joseph Safra e da família Ermírio de Morais.


Dentro das agências e dos departamentos de marketing, planos espetaculares são baseados nesta conta absurda. Esta família é, sim, a mais espoliada do país, pois ela paga todos os impostos (cai diretamente no contra-cheque), mas tem que pagar por tudo aquilo que ela em tese já pagou, mas o Estado não lhe dá (educação, saúde, transporte…). E, diferentemente do que seria a verdadeira riqueza (renda individual  acima de R$35.000 mensais, no mínimo), esta família não consegue abater seu imposto de renda com elisões fiscais, ou colocar sua grana numa offshore.

A importância em se destacar tal prática por parte das agências é que este critério acaba batendo nos discursos da imprensa, que acaba vilanizando a classe média real ao misturar a família de 8 mil em média com os barões de 35 mil. Nem mesmo os padrões de consumo são similares! Já que esta classe perdeu 48% do poder de compra nos últimos 5 anos. É o Brasil virando a Índia e matando a Bélgica: uma país de miseráveis remediados, na contramão da história.