O título provocativo tem sua razão de ser. Comentava com colegas sobre o fato do brasileiro, em geral, gostar tanto de reggae mas não conseguir sair do cliché Bob Marley – Peter Tosh – AlgumaCoisaRoots de conhecimento reggaeiro.

Pergunte aos fãs de reggae se eles conhecem os Upsetters ou Lee “Scratch” Perry. Ou se eles saber o que é rocksteady ou a diferença do dub para o reggae. Ou até mesmo questionar porque não tem contrabaixo no reggae brasileiro. Provavelmente, receberá uma cara de “o que ele tá falando???” de presente. Claro, pode ser o grau de cannabis na cabeça do sujeito, mas digamos que não seja. E por que isso nos interessa neste blog? Ora, o reggae é só um exemplo: a superficialidade do conhecimento dos conhecedores no Brasil é que é o fator crucial deste artigo…

Não há aparentemente nenhuma razão que impeça os fãs de reggae de buscarem conhecer mais o ritmo que admiram. Mas eles se parecem satisfeitos com a repetição ad nauseum dos mesmos sucessos de sempre. O mesmo acontece no rock, no jazz, no blues e em tudo relacionado à cultura no Brasil. Claro, há sempre uma ceninha de novidades aqui e acolá, mas em geral, tais novidades são apenas mímicas de cenas estrangeiras já perfeitamente diluídas ou então regurgitação dos grandes bastiões da MPB, aquela com M maiúsculo, de ME ESQUEÇAM UM POUCO!

Então? O que há por trás deste fato? Teríamos uma verdadeira cultura do jeitinho criativo, um país de criatividade à flor da pele como propagado pelos ufanistas? Acho que não: na verdade, nosso jeitinho mostra que estamos sempre a reboque dos acontecimentos. O jeitinho nada mais é do que a institucionalização do quebra-galho, do “vamos levando”. É por isso que o “tá bom desse jeito” se reflete tão perfeitamente no consumo de cultura.

Tom ZéO brasileiro não valoriza a educação, muito menos a diversidade, por mais estranho que isso possa parecer. O Brasil se mantém coeso muito em força da capacidade de homogeinização da sociedade, que ela própria impõe sobre seus membros. É por isso que a MPB é tão limitada e reacionária, vivendo do eterno passado, sem qualquer ruptura, sem qualquer possibilidade de confronto. E ela, lembremos, é a música da elite pensante nacional.

Então, da próxima vez que ouvir Natiruts, lembre-se de como o Brasil trata os inovadores e rompedores de tradição…