A venda de episódios recém-saídos do seriado Lost nas barraquinhas dos camelôs, já devidamente legendadas e empacotadas para consumo local, é sintomático de um fenômeno cujos craquelamentos se vêem em outras partes: a destruição do modelo síncrono da indústria audiovisual.

Explico. A indústria cinematográfica, há muito tempo, baseia sua receita não somente na ida dos fãs ao cinema, mas da receita advinda da venda de direitos para home video (VHS e DVD), Pay-per-view, TV a Cabo, TV aberta e finalmente hoje, iPods. Mas esta receita era diluída no tempo: ou seja, primeiro se rentabilizava o cinema. Passados alguns meses, e os atrasos no mercado internacional, passa-se ao outro naco da cadeia (DVD) e assim por diante.

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