As gravadoras nacionais andam caindo pelas tabelas. O artigo Clássicos de araque, publicado na Trópico, pode dar uma idéia do porquê. Diferentemente de outros países, as grandes gravadoras na Brasil não são exatamente pródigas em investimento em P&D, ou seja, na revelação de novos artistas. Mesmo nos EUA e Europa, onde tal situação também não acontece com freqüência, a existência de uma forte indústria de pequenas gravadoras cria um mercado emergente interessante, que acaba levando os artistas que mais se destacam nas menores às grandes gravadoras. Ou seja, as pequenas acabam fazendo o investimento em P&D (aqui, mais conhecido como A&R), lucram com o catálogo anterior (que sempre se movimenta com a maior exposição do artista, ou que então é simplesmente vendido por uma boa grana à grande gravadora) e reinvestem o capital em novos artistas pequenos.

Mas esta renovação depende ao menos de algum tipo de apoio para divulgação e espaço de acesso. O problema é que isso não ocorre pelos seguintes problemas:


  • O cenário de homogeinização das rádios e das TVs levam à uma redução na diversidade do que se ouve. Sem acesso, não se renova nada

  • A tendência cada vez maior das rádios investirem em formatos já conhecidos e em hits já consagrados. Não existe, hoje, em São Paulo, nehuma rádio de ponta (um valor que era muito forte na década de 80 e início de 90), ou que tenha programação de “risco”. Mesmo college radios como a Brasil 2000 sucumbiram à velharia conhecida. Qual o problema? O problema é que não se renova o plantel de artistas, não movimenta-se mercado e travam os lançamentos.

  • A fraqueza cada vez maior da MTV, que literalmente chacoalhou o mercado nacional no início da década de 90, tirou o bolor das rádios, e fez com que houvesse a última abertura séria para novidades nas rádios. Hoje, ela vive à reboque das grandes redes de rádio, refém de “programas de comportamento”, e da investida de canais ainda mais pasteurizados, como a PlayTV e o Multishow.