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Porque as gravadoras andam tão mal?

Ricardo | October 18, 2006

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As gravadoras nacionais andam caindo pelas tabelas. O artigo Clássicos de araque, publicado na Trópico, pode dar uma idéia do porquê. Diferentemente de outros países, as grandes gravadoras na Brasil não são exatamente pródigas em investimento em P&D, ou seja, na revelação de novos artistas. Mesmo nos EUA e Europa, onde tal situação também não acontece com freqüência, a existência de uma forte indústria de pequenas gravadoras cria um mercado emergente interessante, que acaba levando os artistas que mais se destacam nas menores às grandes gravadoras. Ou seja, as pequenas acabam fazendo o investimento em P&D (aqui, mais conhecido como A&R), lucram com o catálogo anterior (que sempre se movimenta com a maior exposição do artista, ou que então é simplesmente vendido por uma boa grana à grande gravadora) e reinvestem o capital em novos artistas pequenos.

Mas esta renovação depende ao menos de algum tipo de apoio para divulgação e espaço de acesso. O problema é que isso não ocorre pelos seguintes problemas:


  • O cenário de homogeinização das rádios e das TVs levam à uma redução na diversidade do que se ouve. Sem acesso, não se renova nada

  • A tendência cada vez maior das rádios investirem em formatos já conhecidos e em hits já consagrados. Não existe, hoje, em São Paulo, nehuma rádio de ponta (um valor que era muito forte na década de 80 e início de 90), ou que tenha programação de “risco”. Mesmo college radios como a Brasil 2000 sucumbiram à velharia conhecida. Qual o problema? O problema é que não se renova o plantel de artistas, não movimenta-se mercado e travam os lançamentos.

  • A fraqueza cada vez maior da MTV, que literalmente chacoalhou o mercado nacional no início da década de 90, tirou o bolor das rádios, e fez com que houvesse a última abertura séria para novidades nas rádios. Hoje, ela vive à reboque das grandes redes de rádio, refém de “programas de comportamento”, e da investida de canais ainda mais pasteurizados, como a PlayTV e o Multishow.

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Quanto uma estratégia tem de acaso?

Ricardo | October 17, 2006

Lendo um artigo na Business Week sobre a cadeia de moda H&M, me deparei com uma pergunta que é freqüente tanto nos círculos acadêmicos quanto na prática empresarial: o quanto de sorte e acaso tem uma estratégia vencedora? O caso acima é bem típico: aparentemente eles conseguem aliar preços arrasadores (o que em tese qualquer cadeia com força no mercado conseguiria) e um “olhar atento” sobre a última moda (portanto, uma certa qualidade para se observar as tendências de mercado).

O interessante está justamente neste “olhar atento”; afinal, isso é uma mistura de futurologia com sorte de acertar o que a estação pede. Esta capacidade de prever o futuro faz com que a empresa apresente baixos índices de estoque, uma de suas vantagens competitivas no mercado. A pergunta é: como saber o que é um “olhar atento” que traz vantagens competitivas a priori?

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Afinal, para que(m) servem os selos editoriais?

Ricardo |

Numa manobra lógica, que poucas editoras adotam no mundo (destaca-se a Companhia das Letras e a Bloomsbury), a gigante cristã Thomas Nelson liquidou seus selos editoriais. A razão principal é tão óbvia que dói acreditar que isso não seja uma prática do mercado: os consumidores não entendem a razão da divisão dos selos, e dão muito pouca bola para eles. Como defendi em minha dissertação, a organização em selos atende uma lógica interna da editora, e não aos consumidores. Portanto, não é algo que os consumidores tenham qualquer interesse em saber. Faz, portanto, muito mais sentido, que as editoras enxuguem seus selos ao mínimo possível, apostando num fortalecimento da marca-mãe, e investindo principalmente nas “franquias de autores”, um conceito ainda pouco explorado no Brasil. Será um futuro tópico a ser abordado aqui neste site.

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As lógicas da arte musical

Ricardo | October 11, 2006

Um grande colega meu de academia, Charles Kirschbaum, está fazendo uma pesquisa sobre o universo do hip hop em São Paulo. Inspirado neste assunto, sempre acabo revisitando um livro fundamental para se entender as lógicas da arte musical. Ou seja, porque não podemos comparar a folk music, a música popular e a música erudita entre si.

O sociólogo Simon Frith apresenta sua tese no fabuloso Performing Rites (sem tradução no Brasil). Para ele, diferentemente do que prega Adorno, a música popular tem tanto valor quanto a música erudita/experimental, pois elas possuem lógicas distintas e não-comparáveis. Frith alega que a música popular facilita diálogos, abordando a música do ponto de vista sociológico-prático do tema.

Vou fazer um resumo muito tosco agora. Peço perdão a ele. Simon diz que a lógica da folk music (e que, de certa forma, é a mesma de qualquer música de raiz, seja o samba, o hip hop ou o blues) está na pureza, na pregação social da proteção. A música erudita tem uma lógica técnica, de depuração, ancorada num discurso social de música feita com o cérebro. Já a música popular não tem nem o compromisso com a técnica, nem com a pureza, mas mais com discursos sociais. É por isso que, se um amigo seu vier com o papo de que o jazz e a MPB são estilos de música superiores ao rock, você esfrega na cara dele que a lógica dele é diferente da sua.

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Boas idéias em marketing editorial - I

Ricardo | October 5, 2006

A Publisher’s Weekly noticia que o site BookFinder.com, especializado em livros usados, vai apresentar uma lista dos títulos fora de catálogo mais demandados em seu site. Não deixa de ser uma das raras oportunidades dos editores ter contato direto com o varejo para sentir onde a demanda está mal suprida. Cabe às editoras se antecipar, já que a iniciativa parece ser uma das formas mais eficientes de se diminuir incertezas de demanda e, portanto, risco. O Sebo do Messias poderia fazer o mesmo, não acham?

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