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Por que o marketing não faz os manuais de usuário?

Ricardo | August 30, 2006

Se você nunca esteve aqui, você talvez queira assinar esse blog via RSS feed. Obrigado pela visita!

O blog Passionate traz essa discussão muito interessante à baila. Por que as empresas investem tanto dinheiro em folders de produto, com o design mais atraente possível, papéis super-especiais, e largam o manual do usuário na mão dos engenheiros, escrito de forma insuportavelmente chata, em papel de quinta categoria e fonte ilegível? A autora Kathy Sierra sugere, maldosamente, que as empresas preferem só seduzir o consumidor até a compra – depois, ele que se vire.

Ela tem razão: se a empresa investisse em manuais bonitos e interessantes feitos pelo marketing, a experiência do consumidor com aquele produto se estenderia além do tesão da compra. Um equipamento eletrônico que você só sabe usar 5% dele simplesmente porque não entende bulhufas do que está escrito no manual técnico transforma a marca numa “outra qualquer”, já que 5% do que ela faz é possivelmente os mesmos 5% que todas suas concorrentes fazem. No final, aquele celular que tem 200 funções só é usado para 10 funções. E nisso sua concorrente pode até ser melhor…

Recomendo a leitura do artigo completo, em inglês, aqui.

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Capitalismo à brasileira - I

Ricardo | August 29, 2006

Nossa primeira nota sobre o capitalismo à brasileira vai para o bizarro sistema brasileiro de financiamento do cinema nacional, uma excrescência sob qualquer julgamento racional, público ou privado.

O sistema consiste em financiar a produção de filmes sem qualquer limite de gastos ou contra-partida, enquanto a infra-estrutura de produção e a concentração se mantém essencialmente a mesma. Detalhe: este financiamento é todo feito com dinheiro público, fruto de renúncia fiscal – portanto, decidido não por critérios públicos mas privados.

O mais razoável seria tal renúncia ser limitada a uma captação de um orçamento de filme pequeno, para capilarizar as produções, e melhorar a distribuição e acesso, portanto, oferecendo escoamento para tal produção. Mas isso, claro, não agradaria cineastas brasileiros, que gostam de fazer filmes para ninguém ver, mas com custos de Hollywood. É gente que faz filmes caros e muito ruins (eles dizem artísticos, exceto que como vinagre, pioram com o tempo) como Tizuka Yamasaki (cujo ápice foi dirigir Os Trapalhões) e Cacá Diegues (que produz pérolas como Deus É Brasileiro, com aquele cheiro de chão batido).

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Sabotando Produtos

Ricardo | August 25, 2006

Uma ótima reportagem da BBC comenta sobre uma das estratégias mais comuns de se vender produtos premium, mas que é muito pouco comentada nos artigos e livros por razões óbivas: a sabotagem de produtos. Como funciona o esquema?

Sabotagem!Digamos que você chegue na Starbucks e queira um cappuccino simples. Olha no cardápio e não há. Há contudo uma versão mega gigante, bem maior do que desejaria. E, por isso, acaba comprando esta mesma. Só que, se você tivesse chego no caixa e pedido o cappuccino pequeno… bingo! Ele existiria e estaria lá – só não no cardápio, porque sua baixa margem de contribuição não interessa à rede de cafeterias.

O autor chega inclusive a comentar o caso de uma impressora da IBM que era vendida em duas versões, sendo que a versão básica era idêntica à premium, mas vinha com um chip a mais, que só servia para reduzir a velocidade de impressão!

Seria esta uma tática ética de se trabalhar precificação? Como estimular o consumo do produto premium sem precisar recorrer a tais expedientes? Seria o premium mal precificado nestes casos? Convido os 3,1 leitores deste blog para comentários…

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A editora é uma marca desejável?

Ricardo |

PenguinA Penguin resolveu investir em algo raro entre editoras: branding. Em seu site, começou a colocar à venda itens como camisetas, bonés, bolsas e até mesmo o simpático símbolo da empresa em forma de pelúcia.

Além disso, aposta na venda de pacotes temáticos para presente, mais ou menos na linha do que oferece a Flores Online. Por exemplo, uma cesta com produtos italianos mais um livro sobre culinária italiana.

Porque as editoras nacionais, tão pequenas e ágeis, não pensaram nisso antes?

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O Fator S

Ricardo | August 24, 2006

Seth Godin traz à superfície um tema que costuma ser bem espinhoso, tanto do ponto de vista acadêmico, quanto do ponto de vista empresarial: o Fator S. Ou, em inglês, o fator L (luck). Seria o sucesso no mercado uma questão de Sorte? Nossas estratégias são tão irrelevantes assim, como pregam os estrategistas alinhados com Henry Mintzberg, ou teríamos na verdade alta capacidade de alterar profundamente ambientes, como os clássicos pregam? Sorte

É simples dizer que é um pouco dos dois, mas esta é a resposta fácil. O artigo de Godin é interessante por mostrar que, em indústrias muito ligadas à moda ou a mudanças sociais de difícil avaliação, o controle das variáveis é quase impossível. Contudo, isso não torna a estratégia obsoleta: apenas altera-se a forma de se utilizá-la.

Leia o restante do post »
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Proposta de Sociologia do Cigarro I

Ricardo | August 16, 2006

Vou ser abusado e escrever teoria barata aqui um pouco.

Quando estive nos EUA e França, em duas oportunidades distintas, uma das situações que mais me chamavam a atenção era a postura dos fumantes em situações de convívio social. Em miúdos: o que há de comportamento sociológico no simples ato de se fumar em público?

FrançaA primeira coisa que me despertou curiosidade era o fato que a ampla maioria dos fumantes mantinham seus cigarros próximos à boca, ou muito colado ao rosto. Parecia haver um interesse em que o cigarro estivesse circunscrito ao espaço individual, de forma a não perturbar a pessoa ao lado – que poderia não ser fumante. Outra sensação era a de que o ato de fumar era um momento de prazer puramente pessoal, uma ação que independia relativamente dos outros. Mesmo a fumaça era solta devagarzinho, em cima de si próprio, sem aquela coisa de assoprar jatos à distância.

BrasilJá no Brasil, o que mais se vê é o fumante abrindo os braços largos e literalmente jogando o cigarro na cara da pessoa que estiver atrás ou do lado, especialmente se esta não for conhecida. Ao soltar a fumaça, a fumante ou joga tudo para trás, ou para cima, ou para o lado. Ou seja, o fumar no Brasil parece ser um ato muito menos de prazer pessoal, e mais de afeto social e que reforça o caráter egoísta do brasileiro médio. Leia o restante do post »

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Porque os EUA estão também perdendo terreno no mundo. E o Brasil…

Ricardo |

Vou clonar uma pequena nota que postei em meu outro blog, e que é totalmente pertinente ao nosso universo, pois trata da visão sobre como os índices de leitura no Brasil e nos Estados Unidos são lidos. Curiosamente, ambos países vão muito mal em termos de leitura.

Não é à toa que temos os governantes que temos – é tudo uma questão do que privilegiamos.

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Matando boas idéias

Ricardo | August 8, 2006

Acho que não conseguirei explicar melhor do que o próprio autor, Seth Godin, então tomei a liberdade de traduzir uns pedacinhos do texto completo, cuja leitura completa eu recomendo:

A maioria das organizações vêem oportunidades de desenvolvimento de negócios como ameaças.
Uma ameaça porque um erro pode atrapalhar o status quo, pode custar dinheiro ou tempo, ou mesmo meter alguém em confusão.

Após um visualização inicial, a proposta de desenvolvimento de negócios típica leva à Cuidadosa Consideração e Análise. O que significa que advogados vão trabalhar duro para (além de outras centenas de coisas) ter certeza que o licenciamento da marca está correto e apropriado (SM ao invés de TM, por favor) e que eles fizeram seu serviço e nada de ruim pode acontecer.

O problema, como você pode ter desconfiado, é que a moda é imprevisível.


Seth, no fundo, mostra que uma boa dose de risco é necessária para que a criatividade ocorra. Como as modas são muito passageiras, uma idéia pode ser simplesmente inviabilizada por ter sido considerada por tanto tempo que se perde o trem da história.

Ou isso, ou advogados são o melhor meio de se perder o timing. De qualquer coisa. :)

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