Archive for August, 2006

Capitalismo à brasileira – I

Nossa primeira nota sobre o capitalismo à brasileira vai para o bizarro sistema brasileiro de financiamento do cinema nacional, uma excrescência sob qualquer julgamento racional, público ou privado.

O sistema consiste em financiar a produção de filmes sem qualquer limite de gastos ou contra-partida, enquanto a infra-estrutura de produção e a concentração se mantém essencialmente a mesma. Detalhe: este financiamento é todo feito com dinheiro público, fruto de renúncia fiscal – portanto, decidido não por critérios públicos mas privados.

O mais razoável seria tal renúncia ser limitada a uma captação de um orçamento de filme pequeno, para capilarizar as produções, e melhorar a distribuição e acesso, portanto, oferecendo escoamento para tal produção. Mas isso, claro, não agradaria cineastas brasileiros, que gostam de fazer filmes para ninguém ver, mas com custos de Hollywood. É gente que faz filmes caros e muito ruins (eles dizem artísticos, exceto que como vinagre, pioram com o tempo) como Tizuka Yamasaki (cujo ápice foi dirigir Os Trapalhões) e Cacá Diegues (que produz pérolas como Deus É Brasileiro, com aquele cheiro de chão batido).

A editora é uma marca desejável?

PenguinA Penguin resolveu investir em algo raro entre editoras: branding. Em seu site, começou a colocar à venda itens como camisetas, bonés, bolsas e até mesmo o simpático símbolo da empresa em forma de pelúcia.

Além disso, aposta na venda de pacotes temáticos para presente, mais ou menos na linha do que oferece a Flores Online. Por exemplo, uma cesta com produtos italianos mais um livro sobre culinária italiana.

Porque as editoras nacionais, tão pequenas e ágeis, não pensaram nisso antes?

Porque os EUA estão também perdendo terreno no mundo. E o Brasil…

Vou clonar uma pequena nota que postei em meu outro blog, e que é totalmente pertinente ao nosso universo, pois trata da visão sobre como os índices de leitura no Brasil e nos Estados Unidos são lidos. Curiosamente, ambos países vão muito mal em termos de leitura.

Não é à toa que temos os governantes que temos – é tudo uma questão do que privilegiamos.