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Viva Vaia

Ricardo | June 29, 2006

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Reparei há uns dias que há uma dezena de campanhas atualmente no ar que utilizam o mesmo conceito – ou no mínimo a mesma assinatura – de viver alguma coisa. Isso vai do Ford “Viva o Novo”, ao Banco Ibi “Viva a Diferença”, ou quem sabe o “Viva Kaiser” e o “Viver sem Fronteiras” da TIM.

Viva Vaia - Augusto de Campos 1972Mais do que uma crítica, trata-se de um fenômeno interessante – por que se tornou tão importante assim o “viver”? (Em tempo: não vejo isso necessariamente como prova de falta de criatividade, já que publicitariamente falando, é uma palavra coringa que entrega muitos caminhos.)

Há um segundo ponto interessante: o conceito quase nunca aparece sugerido, mas sim imposto (note o tempo verbal no imperativo). É fato que a publicidade sempre usou o imperativo como forma de vender produto, mas os atuais conceitos não falam nada em relação ao produto. Seria uma forma de impor um jeito de viver?

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Os Limites da Estratégia

Ricardo | June 20, 2006

Um dos últimos números da Harvard Business Review sepulta de vez a visão ainda predominante do planejamento estratégico como instrumento de manipulação e acomodação da realidade. Apesar da HBR chamar esta \”nova visão\” de \”radical\”, quem nunca compartilhou desta abordagem puramente econômica sabe que este paradigma já está superado há um bom tempo, pelo menos desde a década de 90.

Em Creating Strategy in an Unknowable Universe, escrito pelo Senior Advisor da McKinsey & Co., Eric D. Beinhocker, este argumenta que, em cenários econômicos voláteis, o planejamento estratégico deixa de ser um plano estático, com metas claras e rígidas, para se tornar uma espécie de portfólio de experimentos, com opções flexíveis, mutantes, que tornariam as organizações melhor preparadas para enfrentar cenários ambientais turbulentos. Leia o restante do post »

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O Arcaísmo como Projeto de Nação

Ricardo | June 14, 2006

Sempre me intrigou como nunca se conseguiu formar no Brasil um capitalismo moderno, que tivesse desenvolvido grandes grupos empresariais cujo controle hoje estivesse pulverizado em mercados acionários fortes, ou mesmo em grupos familiares fortes. Na verdade, o que mais se percebe são estruturas em que empresas crescem muito, vão à bancarrota, ao mesmo tempo que seus donos simplesmente ficam milionários e vão viver de rendas. De preferência numa fazendinha cheia de boizinhos para engorda.

Um livro interessantíssimo, e que questiona uma série de dogmas da historiologia brasileira, parece dar indicações sobre este fenômeno. O Arcaísmo Como Projeto, dos professores da UFRJ João Fragoso e Manolo Florentino, apresenta uma série de estudos sobre o final do período colonial que põem em cheque alguns dos mais conhecidos dogmas da história nacional. Por exemplo, a bazófia da inexistência de uma economia local forte por culpa portuguesa, ou mesmo a impossibilidade do pobre ascender numa sociedade tão desigual. Mas não é disso que trato aqui. Mas de um dado mais pertinente para este tópico, que é a concentração da riqueza não no produtor, mas no intermediário. Segundo o livro, 20 famílias locais praticamente controlavam do transporte à logística de distribuição de produtos e escravos, além do crédito na colônia, sendo que seus tentáculos chegavam inclusive à metrópole portuguesa e África.

O Arcaísmo Como ProjetoNão deixa de ser curioso notar que, segundo os historiadores, estas famílias não duravam mais que duas gerações – já que aparentemente, neste momento, elas se livravam das empresas, compravam um bocado de terra no interior e iam viver de rendas. Ou seja, nunca se transformava em capital produtivo, mas servia para legitimar uma certa aristocracia local, que reproduzia a aristocracia portuguesa.

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